Há dois tipos de marcação de tempo Maia: o sistema circular, consistindo no tzolkin, no haab e no ciclo de Vênus e a Contagem Longa.
O Calendário Sagrado, o Calendário da Terra, o Almanaque Sagrado, a Contagem dos Dias, o Tzolkin - todos esses termos se referem ao ciclo de 260 dias. O termo Calendário Sagrado, entretanto, é normalmente usado para denotar os múltiplos sistemas interrelacionados, isto é, o quadro inteiro de ciclos. 260 dias é aproximadamente nove luas. O ciclo consiste em 20 selos combinados com um número de um a treze. Cada dia é denominado por seu número e selo, assim resultando num total de 260 dias particulares. Os selos são glifos, também empregados
1. Crocodilo Morte Macaco Coruja
2. Vento Corça Relva Terremoto
3. Casa Coelho Junco Faca
4. Lagarto Água Jaguar Chuva
5. Serpente Cachorro Águia Flor
Estes selos também possuem referências míticas, astronômicas e lingüísticas. A ordem dos selos é universal em toda a Meso-América, e existe evidências que o Almanaque Sagrado de 260 dias foi empregado sem modificações por quase 3000 anos; Vento segue Crocodilo, Casa segue Vento, e assim por diante. O ciclo de 13 dias numerados segue paralelo a passagem seqüencial dos selos. Em outras palavras, Vento 1 é seguido por Casa 2, seguido por Lagarto 3, etc. Desse modo, Jaguar 7 (por exemplo) ocorre 40 dias depois de Jaguar 6. Em nenhum códice há provas de que a contagem começasse num dia específico, embora a lista convencional comece com Crocodilo.
O modo no qual os selos possuem significados em diversos níveis da cultura Maia é característico dos estudos do Calendário Sagrado. Seria difícil, incorreto mesmo, promover apenas uma origem ou uso para os selos; o calendário tem múltiplos significados. Então, por que o ciclo de 260 dias é tão importante? Primeiramente, ele corresponde ao período de gestação de 9 meses dos seres humanos, que tem tudo a ver com crescimento e desenvolvimento, idéias caras aos Maias. Corresponde ainda ao intervalo entre os períodos
O ciclo de 260 dias não corresponde diretamente a qualquer período astronômico, embora sirva de denominador comum para sintetizar os ciclos do Sol, Mercúrio, Vênus, Lua, Terra e Marte (planetas observados pelos Maias em seus observatórios). Em essência, é o fator-chave de todos os períodos. Estranho é pensar que corresponde ao nosso próprio período gestacional. O ciclo solar, que é realmente os 365 dias, 5 horas e 45 segundos, que a Terra leva para viajar em torno do sol, foi concebido como um ciclo acessório para o tzolkin. Foi chamado de haab (ciclo de chuvas) e consiste de 18 meses de 20 dias, com um mês curto de 5 dias no fim. Datas haab são indicadas por um nome de mês e um número do dia.(Diferentemente das datas tzolkin, os meses e números do haab seguem nossa costumeira contagem de meses e dias - Zec 2 no haab é seguido de Zec 3, Zec 4, Zec 5 e assim por diante). Num sentido, esses dois ciclos representam os interesses sagrados e seculares da cultura. O haab é o óbvio ciclo anual, enquanto o tzolkin estrutura uma dimensão escondida, mais próxima ao sagrado. Juntos, compunham o quadro para predição de eclipses, marcação de festivais, e para escalonamento de visitas a templos. Os 19 meses são, na linguagem Maia Yucatec:
Kayab Zec Sac Cumhu Xul Ceh
Yaxkin Mac Uo Mol Kankin
Zip Chen Muan Zotz Yax Pax
Vayeb (mês de 5 dias)
Vênus tem um ciclo de 584 dias. Em outras palavras, Vênus se levantará como estrela matutina aproximadamente a cada 584 dias. Este era um ciclo importante para os Maias. As aventuras astrolo-míticas do Sol e Vênus eram, sem dúvida, analisadas de perto pelos Maias antigos, e há razão para suspeitar que o tzolkin surgiu, em parte, para estruturar os ciclos relacionados com as duas luzes celestiais proeminentes (Sol e Vênus). Isto pois a relação entre os ciclos solar e de Vênus é bastante simples: 5 ciclos de Vênus equivalem a 8 haab. A influência do terceiro fator celestial, a Lua, foi construída no próprio ciclo tzolkin. O relacionamento cíclico entre o Sol e Vênus indica que Vênus traça uma estrela de cinco pontas no céu por um período de 8 anos. E oito é uma oitava musical.
Já que 20 selos dividem 584 vinte e nove vezes com 4 de sobra, o ciclo de Vênus começa em um dos 5 possíveis selos. Assim como o sistema de arautos-do-ano, o sistema de selo de Vênus se repete seqüencialmente, repetidamente. O início do ciclo de Vênus é considerado o dia no qual o planeta emerge como a estrela matutina, quase 4 dias depois da conjunção com o Sol. Os 5 selos que indicam quando Vênus emergirá como estrela matutina serve como um mecanismo de predição; os sacerdotes-astrônomos Maias analisavam, projetavam e prediziam aparecimentos futuros da estrela matutina. Quando os números coeficientes são considerados (fato que ignoramos por muito tempo), o cálculo se torna mais complexo e os ciclos mais amplos. A constante de correlação G-M-T (Goodman-Martinez-Thompson) de 584283 é a mais aceita.
O primeiro grande ciclo que deparamos se chama Ciclo Calendárico. Acontece quando todas as possíveis combinações do tzolkin e haab são exauridas e o mesmo dia tzolkin e haabhaab) devem passar antes que Vento 1 inicie um novo ano. O ciclo de 53 haab é chamado de Ciclo Calendárico. Foi amplamente usado pelos Maias e Astecas e é vagamente relembrado pelos Maias Ixil da Guatemala. acontecem juntos. Por exemplo, vamos supor que arauto-do-ano Vento 1 inicia um novo ano. Agora, este mesmo selo do arauto-do-ano retornará para iniciar um novo ano somente 4 anos depois. Mas quando considerarmos o coeficiente numérico 13, então (13x4) = 52 anos (haab) devem passar antes que Vento 1 inicie um novo ano. O ciclo de 53 haab é chamado de Ciclo Calendárico. Foi amplamente usado pelos Maias e Astecas e é vagamente relembrado pelos Maias Ixil da Guatemala.
260x73=365x52=18.980 dias
Novamente, este é o mais curto espaço de tempo em que tzolkin e haab podem sincronizar-se. Mas onde se encaixa Vênus nisso tudo? O grande ciclo de tzolkin, haab e Vênus é completado quando se sincronizam no selo superior de emergência, o dia sagrado de Vênus: Ahau
260x146=365x104=584x65=37.960 dias
Isto é uma conquista calendárica impressionante. Mais ainda, os Maias mitologizavam este elo sagrado no Popol Vuh e no Códice Dresden (um dos únicos livros restantes à fúria do Bispo Diego de Landa). As 5 possibilidades de selos no qual Vênus poderia emergir como estrela matutina estão gravadas no Códice Dresden como: Flor (Ahau), Lagarto, Coelho, Relva, e Coruja. Ahau era o selo principal e o primeiro Ahau era o dia sagrado de Vênus, representando a grande sincronia de tzolkin, haab e Vênus.
Sumarizando:
Tzolkin: 260 dias, 20 selos combinados com 13 números.
Haab: 365 dias, 18 meses de 20 dias cada, mais um mês de 5 dias.
Ciclo de Vênus: 584 dias, de uma aparição da estrela matutina a outra.
Ciclo Calendárico: sincronização de tzolkin e haab a cada 52 haab (18.980 dias).
Ciclo Calendárico completo: equivale a 2 Ciclos Calendáricos (sincronização de tzolkin, haabhaab - 37.960 dias). e ciclo de Vênus a cada 104 haab - 37.960 dias).
Outra forma de marcação de tempo que foi empregada pelos Maias é conhecido como a Contagem Longa, pois lida com ciclos maiores de tempo. É escrito utilizando-se de pontos para indicar a disposição dos valores (por exemplo: 8.15.6.0.4). As disposições à esquerda são de maior valor. O método de datação da Contagem Longa é baseado na contagem de dia hierárquica calcada no
1 dia=1 dia
120 dias=1 uinal
2018 uinals=1 tun
36020 tuns=1 katun
720020 katuns=1 baktun=144.000 kins
1 alautun = 20 kinchiltuns = 23.040.000.000 kins (dias)
1 kinchiltun = 20 calabtuns = 1.152.000.000 kins
1 calabtun = 20 pictuns = 57.600.000 kins
1 pictun = 20 baktuns = 2.880.000 kins
1 baktun = 20 katuns = 144.000 kins
1 katun = 20 tuns = 7.200 kins
1 tun = 18 uinals = 360 kins
1 uinal = 20 kins = 20 kins
1 kin = 1 kinContagem Longa=11.06.14.10.18.15.00.00.00 + 60 alautuns (3 ciclos alautuns)
Contagem Longa=03.11.06.14.10.18.15.00.00.00
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