As Runas: Hagall

quarta-feira, fevereiro 29

O Granizo

Pronúncia: ragal

Nomes Alternativos: hagalaz, hoel, haegl, hagel, haal, hagl

Significados Tradicionais: granizo, nevasca, ruptura

Palavras-Chave: liberação dramática, nascimento, correção de desequilíbrio, adversidade vantajosa

Usos Práticos: vantajosa para se manter a calma quando se está sendo provocado, uma ajuda para transformar influências hostis ou adversas em resultados benéficos, banir influências indesejáveis, desenvolver intuição estruturadamente a fim de que não saia do controle, focar as intenções

Usos Mágicos:  para remover influências indesejáveis, quebrar padrões destrutivos

Desafio: aceite o desafio de uma situação aparentemente adversa — confie em si mesmo para discernir as coisas e tirar vantagem do momento

Correspondências:
Fonema: H
Regência Planetária: Saturno (Passiva)
Pedra: Ônix
Flor: Orquídea
Árvore: Freixo da Montanha
Número: 8
Classe Social: Operária
Cor: Branco
Mitos e Deidades: Heimdall, Ragnarok, Loki, Gigantes do Gelo
Tarô: Sacerdotisa
Período do Dia: das 11 às 12 hs

Significados Gerais e Simbólicos:

Compreender que a vida no universo material nos impõe certas limitações naturais; aprenda a viver dentro destas limitações e desse modo seja feliz — tudo isto constitui atributos desta runa. Sendo HAGALL uma daquelas runas que não possuem posição reversa, pode-se dizer que essa injunção é imutável, que quem concordar com isto será feliz e próspero, enquanto aquele que ignorar essa injunção encontrará tristeza e fracasso.
            
O mnemônico escolhido pelo xamã teutônico para representar essa faceta de seu conhecimento foi “granizo”. Diferente da chuva, o granizo pode danificar a colheita se essa estiver ainda nos campos.
            
O xamã era perito na arte de controle do clima, mas ele também entendia que a Terra representava uma unidade ecológica, e quem adulterasse seriamente essa unidade estava trocando benefícios a curto prazo por desastres a longo prazo. Por essa razão, o xamã de todas as culturas primitivas somente interferia com as condições climáticas depois de um período prolongado de um tipo de clima — um período longo de seca, ou um período longo de chuvas. Ele não interferia no clima com base no dia-a-dia, entendendo que os agricultores deviam trabalhar dentro do padrão das estações, e que o quanto mais próximo a humanidade trabalhasse com a natureza, mais sucesso ela alcançaria.
            
HAGALL representa, portanto, todos os eventos que jazem fora do nosso controle. Estes eventos podem ser bons ou maus, mas já que essa runa indica a interferência de uma força impessoal (tal como a natureza, que faz chover tanto para os que necessitam como para os que não precisam) na vida de todos, e já que muitas pessoas reagem negativamente ao serem tratadas com impessoalidade, HAGALL freqüentemente assume um significado desafortunado. Usualmente, expressa uma ruptura, e se refere àquelas áreas da vida que não podem ser acuradamente estimadas quando planejando o futuro, por não estarem sob o nosso controle. Assim, os eventos pressagiados por essa runa geralmente nos surpreendem de uma maneira repentina e inesperada, podendo constituir um choque ou (ao menos) uma surpresa. Outras runas acompanhantes habilitarão uma avaliação desta “surpresa”, se será agradável ou não.   Visto que essa runa está fortemente conectada à natureza e acontecimentos naturais, às vezes designa um evento natural que irrompe, como doença, morte, um casamento, ou um nascimento. Essa ruptura pode ou não causar o abandono do nosso prévio curso de ação, dependendo das runas associadas. Não se deve pensar, entretanto, na ruptura como um evento colérico, já que este é um poder de mudança natural, necessário para corrigir qualquer desequilíbrio e criar condições para o crescimento e o desenvolvimento. Não se deve interpretar como punição divina por algum erro imaginado, quando, de fato, é mero modo de trazer a atenção para um padrão recorrente na vida. Infelizmente, estes tipos de evento têm uma tendência a repetir-se com uma severidade cada vez maior, até que a lição seja aprendida e o padrão seja quebrado. Por exemplo, alguém que precise abandonar sua dependência de certo tipo de pessoa, vai se achar em relacionamentos com tais pessoas vezes sem conta, com resultados mais e mais desastrosos, até que reconheçam o padrão emanado dela mesma e quebre-o por vontade própria. Mas, em qualquer caso, essa ruptura dura por um longo tempo. Retirar essa runa em um lançamento indica uma necessidade premente da Psique em se libertar de uma identificação restrita com a realidade, destruindo-se o obsoleto e removendo-se o irrelevante.
            
Algumas vezes, HAGALL mostra que o futuro jaz nas mãos de outra pessoa. Em alguns casos, se está cônscio de que uma decisão concernente ao seu futuro está para se fazer; em outros, é abençoado por não saber o que se passa. Porque HAGALL é uma runa impessoal, essa decisão normalmente repousa nas mãos de um grupo de pessoas: uma comissão de diretores, um conselho municipal, um corpo governamental, uma corte de justiça, um tribunal ou um comitê. Mesmo quando a decisão parece repousar em uma única pessoa, tem-se pouco ou nenhum contato pessoal com ela, que age dentro de uma série de regras ou condições que impedem tanto a maldade como os favores pessoais.
            
E já que o evento prognosticado por HAGALL é apontado como um “ato de Deus” (ou da Mãe Natureza, dependendo do ponto de vista) ou um ato de alguma burocracia impessoal, em geral toma-se ciência dele através de um intermediário ou de uma correspondência oficial. Em conseqüência, essa runa pode enunciar o recebimento de notícias, sobre algum acontecimento natural ou sobre uma decisão tomada por uma grande e influente organização, limitando ainda mais o contato pessoal.
            
Em um lançamento rúnico afortunado, HAGALL pode representar uma interrupção, mais do que uma ruptura, resultando que os assuntos continuarão como estavam antes. Isto é especialmente verdadeiro quando HAGALL está emparelhada com uma runa de atraso, como ISA, NYD ou OTHILA reversa. Alternativamente, a ruptura pressagiada por HAGALL pode fazer com que se mude a direção completamente. Como sempre, muito depende das outras runas no lançamento, particularmente aquelas que seguem depois de HAGALL. Certas vezes, a ruptura predita pode ser afortunada, como quando HAGALL menciona uma decisão governamental favorável mas inesperada. Ou pode trazer condições favoráveis, desviando-nos de um curso de ação desfavorável ou de um sucesso moderado — mesmo que este desvio possa ser grandemente amaldiçoado ou deplorado na época.
            
Um dos eventos naturais que o xamã teutônico observava HAGALL presidir era o nascimento, e, freqüentemente, essa runa significa fertilidade de mente e de corpo, quando emparelhada com uma das runas de criatividade, como KANO e TIR, ou com outras runas da fertilidade, como BERKANA, LAGU ou ING.
            
Porque as situações descritas por essa runa podem ser propícias ou reversas, HAGALL implica na própria vida como um jogo. Geralmente, essa runa surge quando se está enfrentando grande risco que, caso se salde, resultará em segurança financeira, realização emocional ou saúde restaurada. HAGALL emparelhada com FEHU ou JARA denota um retorno próspero por meio de trabalho árduo e esforço investido, mas combinada a PERTH significa um ganho na loteria, em um bolo de apostas ou numa competição. Já com FEHU ou PERTH reversas, declararia fracasso nos respectivos campos.

8 comentários:

Anônimo disse...

Como assim, "fertilidade de mente e de corpo"?

Fabrício César Franco disse...

Olá,

A fertilidade de mente se refere às novas ideias, novos planos, imaginação posta a trabalhar. De corpo, evidentemente, representa a possibilidade de progenia.

Anônimo disse...

Fabrício, se Hagall vem junto a runa branca ou runa de Odin, o que ela significa? Obrigada, Adriana.

Fabrício César Franco disse...

Adriana,

A runa em branco sempre é de difícil interpretação, visto que não é da origem dos jogos rúnicos. Melhor entender a combinação como sendo uma potencialização da runa marcada, ou seja, no caso, de Hagall.

Anônimo disse...

Obrigada, Fabrício! Foi exatamente como pensei.
Abraços, Adriana. :)

Fabrício César Franco disse...

Às ordens, Adriana. Estou afastado do estudo (e prática) das runas há muito tempo e acho bastante interessante meus escritos terem alguma repercussão. Fique muito à vontade para dialogar.

Luís Felipe Lyrio disse...

Fabrício
muito obrigado pelos textos sobre as runas. São muito bons, e tratam de forma diferente do que tenho encontrado por aí.

Tenho uma dúvida em relação à "Runa de Odin", a Runa branca, ou wyrd. (afinal, todas as runas são de Odin: eu estou estudando as runas, semanalmente sorteio uma para refletir e estudar, para, você sabe, conhecer mais a fundo cada uma delas. Tirei essa semana a Wyrd e acho muito pouco sobre ela. Li que o que você comentou acima, que ela não é da prática rúnica. Pode falar mais sobre isso?

Fabrício César Franco disse...

Em resumo, Luís, Wyrd foi introduzida no runemal pelo autor Ralph Blum, quando ele escreveu o livro que fez o renascimento do estudo rúnico, "O Livro de Runas" (editado no Brasil pela Bertrand Brasil).